Archive for Recuperação Florestal

A comunidade faz, o poder público desfaz

O principal problema encontrado por quem dispõe-se a rearborizar áreas públicas urbanas é a depredação e o furto das mudas. Mas temos percebido que, nos últimos anos, este problema tem diminuído de intensidade, talvez pelo fato de a mídia dar atenção crescente a temas ambientais.

Lamentavelmente, temos notado que surge, agora, outro problema: o descaso dos serviços de manutenção de áreas verdes (capina/roçada) do poder público. Já perdemos mais mudas em decorrência do anelamento efetuado pelas roçadeiras do que por depredação ou furto.

Desta forma, perdemos uma muda de Araucaria angustifolia, apresentada em nossa postagem de março de 2010. Este exemplar vinha desenvolvendo-se de forma vigorosa e já estava com 65cm de altura quando uma roçada descuidada acabou com mais esta muda de espécie hoje rara na cidade de São Paulo, e que não é utilizada nos plantios efetuados pela prefeitura municipal de São Paulo (PMSP).

Muda morta pelo serviço de capina da PMSP

Detalhe do anelamento sofrido pela muda

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A questão é verde, vermelha ou azul?

Em 24 de outubro, o “Estado de São Paulo” publicou excelente artigo do prof. emérito da FFLCH-USP José de Souza Martins. Como não o encontramos em forma digital, resolvemos colocá-lo em nosso blog para que eventuais interessados possam acessá-lo.

A QUESTÃO É VERDE, VERMELHA OU AZUL?

O jardim botânico de Cubatão e nosso falso cromatismo político

Um dos grandes complicadores dos problemas sociais no Brasil ganhou nova dimensão com a surpreendente votação de Marina Silva e do Partido Verde no primeiro turno da eleiçãp presidencial. Marina Silva não será desta vez presidente da República, mas foi vitoriosa ao viabilizar o destaque da questão ambiental na agenda politica do país e dar visibilidade ao ambientalismo como sujeito politico, no elenco dos novos sujeitos que as eleições revelaram. O que inclui igrejas evangélicas com seu crescente e poderoso número de conversos e suas peculiaridades políticas e ideológicas. O Brasil se vê em face de uma diversificação de sua consciência social e dos valores de referência no comportamento eleitoral de sua população, com a consequente ampliação do elenco de demandas de direitos sociais e até mesmo de direitos politicos.

A improvisada corrida dos candidatos remanescentes na disputa eleitoral do segundo turno ao menu ambientalista é demonstração de quanto os dois principais partidos da Nova República, o PSDB e o PT, tem estado desatentos às mudanças políticas aceleradas que vem ocorrendo na sociedade brasileira e ao novo perfil do decisivo eleitor. Os nossos partidos politicos majoritários não se atualizaram no grau e no ritmo das mudanças que eles mesmos viabilizaram no poder.

Os impasses são bem diferentes dos destacados no simplismo da polarização que nesta eleição perigosamente nos dividiu num Brasil vermelho e dos pobres e num Brasil azul dos ricos. Mistificação e falcatrua ideológicas que não confessam conveniências dos ricos do Brasil vermelho nem as urgências dos pobres do Brasil azul. Na convergência e ao mesmo tempo no desencontro da questão social e da questão ambiental é que temos um bom indicador de quanto esse cromatismo revela-se falso e esconde uma poderosa contradição cujo escamoteamento, tudo indica, terá que chegar ao fim. Não há como continuar escalonando precedências em nome dessa falsa polarização sem graves consequências para o país inteiro. A questão social tem solução; a questão ambiental não a tem se as medidas de urgencia tardarem.

Em princípio, as aparentemente antagônicas soluções para as questões social e ambiental contrapõem necessidades e demandas circunscritas e locais, de um lado, e necessidades propriamente sociais e nacionais, de outro. A insurgência autodefensiva de grupos locais em questões como essa, é problema que facilita e propicia a manipulação política, o engodo oportunista e as soluções precárias sem que de fato seja resolvido. É questão que exige competência e coragem políticas, porque os pequenos grupos e suas demandas localizadas e legítimas também se tornaram sujeitos do processo politico.

A dificuldade vem se propondo, e agravou-se nestes meses de embate eleitoral, no conflito que envolve a efetivação do projeto de criação do Jardim Botânico da Serra do Mar, pelo governo do Estado de São Paulo, e os interesses das cerca de 1.800 famílias de moradores do bairro da Água Fria, em Cubatão. No plano mais amplo, é o conflito entre a consolidação do Parque Florestal da Serra do Mar, de uma parte, e os chamados bairros-cota constituídos da população que se instalou em diferentes níveis da serra. O problema é bem antigo e é expressão das sequelas da construção da Via Anchieta, inaugurada em 1949, pelo governador Adhemar de Barros. A obra atraiu grande número de migrantes, majoritariamente nordestinos e mineiros, que após sua conclusão permaneceram em favelas e aglomerações precárias ao longo da rodovia, do ABC à Baixada Santista.

O advento da consciência ambiental e o reconhecimento dos imensos danos sociais da ocupação imprópria das areas das nascentes de água na Serra acabaram impondo medidas de correção dos problemas e de reconstituição do ambiente numa perspectiva mais ampla, de urgencia e de largo prazo. Curiosamente, aí contrapõem-se a medida corajosa e necessária de restauração ambiental e o compreensível inconformismo dos atingidos, vítimas também. A disputa tornou-se um embate ideológico e partidário, que tem muito de artificial apesar das emoções que esses casos despertam. Há um ano e meio, o site da administração petista da Prefeitura de Cubatão reconhecia a relevância social, como medida de longo prazo, da remoção da população que ocupava indevidamente as areas indicadas. Agora, apóia incondicionalmente a permanência dos moradores com base na precaríssima suposição de que eles próprios possam se tornar zeladores da reserva. Coisa que não conseguiram quando novos moradores a eles se juntaram com a construção da Rodovia dos Imigrantes.

De qualquer modo, a ampla e complicada revisão da postura dos governos em relação às demandas dos pequenos grupos, em face do que interessa ao país inteiro, apenas abre uma agenda de confrontos que dependerá de políticos com envergadura de estadistas. Orientações populistas só complicarão ainda mais a questão ambiental.

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Monitoramento da restauração florestal das margens do Córrego Tremembé – 2010

Atendendo a uma sugestão da fundação canadense Acer, cujo objetivo é o de propiciar a alunos que desenvolvam seu interesse pela ciência e pelo monitoramento de recursos naturais através de práticas de plantio e medição de árvores, vamos publicar anualmente o resultado da medição das mudas que plantamos em um trecho localizado às margens do córrego Tremembé.

A primeira muda é a de uma corticeira-da-serra (Erythrina falcata), que já apresentamos na postagem de janeiro de 2009.

Esta corticeira-da-serra atualmente está com 106cm de altura. Plantada em setembro de 2008, estaria mais desenvolvida se não tivesse sido vítima de uma roçadeira do serviço de capina da prefeitura, que a confundiu com uma gramínea… Em todo caso, constatamos que é uma espécie robusta e de rápido crescimento.

Esta araucária (Araucaria angustifolia) foi plantada em fevereiro de 2010 e atualmente está com 32cm de altura.

Esta araucária (Araucaria angustifolia) foi plantada em março de 2010 e atualmente está com 29cm de altura.

Esta pata de vaca (Bauhinia forficata) foi plantada em janeiro de 2010 e atualmente está com 49cm de altura.

Esta pitangueira (Eugenia uniflora) foi plantada no inverno de 2008 e atualmente está com 90cm de altura.

Esta araucária (Araucaria angustifolia) foi plantada em 1 de janeiro de 2009, estabeleceu-se bem e atualmente está com 44cm de altura.

Este ipê-amarelo (Tabebuia sp.) foi plantado em janeiro de 2009, quando estava com cerca de 1m de altura. Foi cortado várias vezes pelo serviço de capina da prefeitura; o sistema radicular conseguiu sobreviver até agora, e no momento a planta está com 12cm de altura.

Esta uvaia (Eugenia pyriformis) foi plantada em fevereiro de 2010 e atualmente está com 25cm de altura.

Uma das constatações destes nossos plantios é a de que a araucária é uma espécie a ser considerada para a restauração de áreas como esta, apesar de seu crescimento relativamente lento. É resistente às formigas, o que já não ocorre com uma espécie de rápido crescimento como o guapuruvu. Além disso, suas acículas também inibem a ação de predatores, inclusive os humanos!

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Mudas à venda!

Araucária, Jatobá, Canafístula, Grápia, Peroba, Jabuticaba, Corticeira-da-serra, Uvaia, Ipê Roxo, Pata de vaca, Ipê amarelo, Xixá…

Estamos vendendo mudas provenientes de nossos experimentos, de diversas espécies e tamanhos.

Muda de xixá (Sterculia chicha) de cerca de 70cm de altura. É uma espécie ornamental de grande porte.

O tamanho das mudas varia de 20 a 150cm de altura, para plantio em jardins, áreas condominiais ou sítios. O local de entrega é Porto Alegre-RS ou São Paulo-SP, sendo possível combinar a entrega em outra localidade. Em caso de interesse, nossa equipe pode providenciar o plantio imediato no local definitivo. Fornecemos orientações sobre as espécies mais adequadas e adaptadas para as condições locais; dependendo da espécie, seu porte quando adulta pode ser pequeno, médio ou grande. As mudas têm de 1 a 2 anos de idade.

Também aceitamos encomendas para produção de mudas de espécies arbóreas específicas. Temos espécies para fins ornamentais, produção de frutos para alimentação humana e animal, e de produção de madeira nobre.

Mudas de pinhão (Araucaria angustifolia) e de uvaia (Eugenia pyriformis) de cerca de 30cm de altura. O pinhão serve para alimentação humana e animal, além de ser uma espécie ornamental de grande porte. A uvaia é uma espécie de porte médio cujo fruto é muito apreciado pela fauna. Trata-se de uma espécie característica da Mata Atlântica na faixa que se estende do Rio Grande do Sul a São Paulo; seu sabor levemento ácido a torna ótima para o preparo de uma caipirinha genuinamente sulbrasileira!

Peroba (Aspidosperma australe) com um ano de idade e 22cm de altura. Madeira nobre característica da Mata Atlântica.

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O que há de errado com o Código Florestal

Em 24 de novembro, o jornal “O Estado de São Paulo” publicou um artigo muito esclarecedor do agrônomo Ciro Siqueira intitulado “O que há de errado com o Código Florestal Brasileiro”. O texto traz objetividade à discussão, que então precisa ser aprofundada, ampliando-se a análise.

No caso do estado de São Paulo, podemos partir do pressuposto de que a atual cobertura florestal é inferior à necessária para prestar diversos serviços ambientais como equilíbrio climático e biológico. Assim, se o proprietário de uma área de mil hectares teria sua receita diminuída em 60 mil reais anuais por causa da RL, também é verdade que outros segmentos da sociedade, como as populações urbanas, não só teriam como já têm prejuízos diretos e indiretos devido à insuficência de áreas florestais, como por exemplo a inconstância da vazão de rios (enchentes) e vendavais. Além disso, a própria cultura agrícola para a qual a terra foi arrendada tem ou terá prejuízos devidos à inconstância climática, já que secas e enchentes também reduzem a produção, reduzindo portanto a receita da propriedade.

Quanto às técnicas de reconstrução da floresta original, elas existem, embora obviamente sejam modelos simplificados. As “Florestas de Uso Múltiplo”, que apresentamos em outra postagem, são um exemplo destas técnicas. Mesmo que hoje “só Deus” saiba como reconstruir uma floresta nativa primária, teremos que começar dando os passos iniciais a fim de garantirmos a nossa própria sobrevivência futura. É verdade que os investimentos necessários para começar a reconstruir uma floresta nativa são altos, podendo chegar a mais de 15 mil reais por hectare. Por outro lado, florestas assim construídas poderiam produzir diversos produtos para os quais existem ou podem ser criados mercados. A madeira de lei que abastece a construção civil nas cidades paulistas provém da exploração insustentável da Amazônia; por quê não é cultivada nas propriedades rurais do próprio estado?

Em suma, podemos dizer que a deterioração ambiental representa um custo para todos os agentes econômicos, e nosso proprietário de mil hectares não terá como escapar de assumir sua parte. Caso conseguisse fazê-lo através de lobbies, por exemplo, certamente seria processado mais adiante pelos prejuízos impingidos a outros pelo fato de sua propriedade não possuir florestas suficientes. É claro que é possível que alguma versão mais “prática” do CF seja criada, ou que a sociedade como um todo esteja disposta a pagar, via impostos e subsídios, uma parte dos custos do “reflorestamento ecológico”, o que aliás já acontece em algumas regiões do estado do Paraná. É questão de elencar os custos/prejuízos e os benefícios que a implementação do CF traz aos diversos componentes da sociedade, definir onde estão os conflitos e criar fórmulas para solucioná-los.

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Multiple Use Forests

An innovative proposal of forest production in areas formerly covered by the Atlantic Forest, combining environmental protection with economic use, was developed by Guenji Yamazoe at São Paulo’s Forest Institute and is currently being applied in some small farms of this state.

This proposal is called “Multiple Use Forests”. This forest model invests in product diversification, managing the production area in a sustainable way. This model may also be used in the “legal reserves” by landowners who want to earn economic benefits. The idea is to obtain economic benefits even during the development of the forest, initially with the intercalation of annual cultures such as cotton and peanuts, then with native fruits, and finally with the extraction of wood. Each of these groups is cultivated within a specific strip following ecological and economic criteria.

The idea of this proposal derives from the forest management system applied for centuries by the German and Japanese forest services.

On a short term time scale, from 4 to 5 years, fruits with potential economic return will begin to be produced, such as Psidium, Eugenia, Campomanesia, Plinia, etc., beside seeds of pioneer tree species, which are characterized by rapid growth and short lifes. On a medium term time scale, from 10 to 15 years, landowners will get return on their investment with the extraction of light wood such as Schizolobium, Enterolobium, and Didymopanax, as well as the production of palmheart (Euterpe edulis). In the long term, e.g. 30 years, valuable timbers with high market value like Hymenaea, Cariniana, and Calophyllum will be produced.

The Brazilian and world society should not keep complaining about deforestation. Heavy investments in the reforestation with native tree species are urgently needed. This will offer excellent economic return if it is done following some technical criteria. After initial investments and the existence of a growing forest, a sustainable forest management (that is, not getting out more than its growth rate) will guarantee a regular and permanent return , like the interest rates of a financial application.

“Matas nativas” is looking for partners interested in implementing this model on a wider scale. We are thinking about areas of legal reserves that need to be restored, within a big scale project (for example, ethanol production, coffee, pulp & paper).

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Florestas de Uso Múltiplo

Uma proposta inovadora de produção florestal, aliando preservação ambiental com uso econômico, foi desenvolvida pelo pesquisador Guenji Yamazoe e está sendo aplicada em algumas propriedades rurais no estado de São Paulo.

Trata-se das “florestas de uso múltiplo”. Por este modelo de reflorestamento, investe-se na diversificação de produtos, em busca de um manejo sustentável da área produtiva. Para o produtor rural, que necessita do retorno econômico, o modelo também pode ser adotado em áreas de reserva legal, para posterior exploração comercial. A idéia é que o produtor obtenha retorno econômico já durante a fase de crescimento da floresta, primeiro com a intercalação de cultivos anuais (algodão e amendoim, por exemplo), depois com frutas e finalmente com extração de madeira, com cada um destes grupos sendo plantado dentro de uma faixa, obedecendo a critérios ecológicos e econômicos.

Convém lembrar que a lógica de manejo florestal que embasa a proposta da floresta de uso múltiplo é a mesma lógica que é aplicada há centenas de anos pelas administrações florestais em países como Japão e Alemanha.

A curto prazo, em quatro a cinco anos, já haverá produção de frutos com potencial econômico, como araçá, uvaia, cambuci, cabeludinha, grumixama, etc., além de sementes de espécies pioneiras, que têm crescimento rápido e vida curta. A médio prazo, ou seja em 10 – 15 anos, o produtor também obterá rentabilidade com a extração de madeira branca, como guapuruvu, tamboril e caixeta, além da produção de palmito juçara, cujos frutos podem ser aproveitados para a produção de alimento. A longo prazo, em 30 anos, já haverá a possibilidade de produzir madeira nobre de alto valor comercial, como jatobá, jequitibá e guanandi.

A sociedade brasileira e mundial não pode mais perder tempo com lamentações sobre o desmatamento. É necessário investir no replantio de árvores nativas. Se isto for feito seguindo alguns critérios, fornecerá um ótimo retorno econômico. Após os investimentos iniciais e depois que a floresta estiver em pé, bastará manejá-la de forma sustentado (ou seja, não retirando mais do que aquilo que é produzido anualmente) para obter-se uma rentabilidade regular e sem prazo para acabar, como os juros de uma aplicação financeira.

“Matas nativas” está buscando parceiros interessados em adotar este sistema em grande escala, e pensamos nas áreas de reserva legal de um empreendimento rural de grande porte (setor de produção de álcool, café, celulose, por exemplo).

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