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O pau-rei de Itu (Proposta para a criação do roteiro das árvores monumentais de Itu)

Itu situa-se a cerca de 100 quilômetros a oeste de São Paulo e é conhecida nacionalmente como sendo a cidade dos exageros graças ao “marketing” do comediante e ex-prefeito Simplício, falecido em 2004. A cidade foi fundada em 1610 e já foi a mais rica do estado devido às plantações de café. Diversas casas senhoriais construídas pelos “barões do café” foram restauradas e hoje fazem parte do centro histórico que é uma das atrações turísticas do município. Itu também teve grande importância no processo que conduziu à Proclamação da República no Brasil, em 1889. 

A região de Itu também está sendo atingida pelo colapso hídrico decorrente da substituição de milhões de hectares de florestas tropicais e subtropicais brasileiras por cidades, estradas, fábricas, plantações agrícolas e pecuária. O racionamento do fornecimento de água à população ituana é cada vez mais intenso devido à estiagem que assola o sudeste brasileiro desde 2013. Além de serem cada vez mais escassos, os recursos hídricos também estão extremamente poluídos. O Rio Tietê banha o município e seu nível de poluição é assustador:

Poluicao

O preço da degradação ambiental atual será cobrado no futuro. Aliás, já está sendo cobrado pela atual  escassez de água.

Portanto, quanto mais for feito hoje para reverter a degradação, menos doloroso e custoso será o futuro. Assim, propostas como a criação do roteiro das árvores gigantes são formas de esclarecer a opinião pública sobre sustentabilidade. Nos dias de hoje, tais programas são comuns e prioritários em países de primeiro mundo, que sabem que não se combate secas e enchentes apenas na base de programas assistencialistas. 

Isto posto, sugerimos à Estância Turística de Itu que invista na criação de um “roteiro das árvores grandes”. Isso certamente origina uma série de benefícios ao município:

– Agrega sustentabilidade aos destino turístico Itu, adicionando um novo e grande atrativo;

– Adiciona “monumentos naturais” (árvores gigantescas, nesse caso) aos “monumentos históricos” já existentes;

– Projeta o município a nível nacional e internacional, uma vez que o Brasil ainda não possui nada semelhante;

– Auxilia na restauração da cobertura florestal do município através da produção das sementes destas árvores.

O pau-rei (Pterygota brasiliensis) situado na Praça da Independência é uma dessas árvores monumentais e merece uma placa que indique seu nome (comum e científico), sua idade aproximada e, se possível,  o nome de quem o plantou. Seu diferencial é estar situado em pleno centro histórico:

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Outro grande atrativo turístico de Itu é a estrada-parque ligando o município a Pirapora e daí a São Paulo. O ponto negativo dessa estrada, de grande beleza cênica, é que margeia o poluidíssimo Rio Tietê. Aqui vemos uma árvore magnífica situada numa ilha do rio, podendo-se inclusive observar a “lixeira” que há no solo e na vegetação rasteira:

Poluicao e arvore

Em todo caso, essa estrada parque possui diversas outras dessas árvores monumentais, como esse Jequitibá-rosa (Cariniana legalis):

jequitibá

Esse jequitibá é tão magnífico que justifica  inclusive o investimento em uma trilha suspensa ao redor de sua copa. Outra árvore monumental nessa estrada é um chichá (Sterculia chicha):

chicha

Também temos essa paineira (Chorisia speciosa) fotografada em plena floração:

Paineira

As árvores monumentais de Itu existem ou porque alguém as plantou ou porque a vontade humana decidiu mantê-las no local onde a natureza as erigiu. Atualmente, com o ambiente natural totalmente alterado pelo homem, não há garantias de que os fenômenos naturais se mantenham até o momento em que possam receber o título de monumentos naturais vivos. Cabe ao poder público, associado às ações cidadãs, criar formas para que os exemplares existentes continuem existindo e que novos monumentos sejam criados no momento presente, para substituir os que morrerem. Cabe a nós investir em ações preventivas para garantir às futuras gerações a possibilidade de conhecer e contemplar esses testemunhos de eras passadas. No intuito de contribuir para assegurar que essas espécies continuem a existir no futuro, ainda mais depois do genocídio ao qual foram submetidos biomas como a Mata Atlântica, “Matas Nativas” plantará voluntariamente algumas mudas dessas espécies monumentais ao longo da estrada-parque e apresentará o resultado na próxima postagem! 

 

 

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A comunidade faz, o poder público desfaz

O principal problema encontrado por quem dispõe-se a rearborizar áreas públicas urbanas é a depredação e o furto das mudas. Mas temos percebido que, nos últimos anos, este problema tem diminuído de intensidade, talvez pelo fato de a mídia dar atenção crescente a temas ambientais.

Lamentavelmente, temos notado que surge, agora, outro problema: o descaso dos serviços de manutenção de áreas verdes (capina/roçada) do poder público. Já perdemos mais mudas em decorrência do anelamento efetuado pelas roçadeiras do que por depredação ou furto.

Desta forma, perdemos uma muda de Araucaria angustifolia, apresentada em nossa postagem de março de 2010. Este exemplar vinha desenvolvendo-se de forma vigorosa e já estava com 65cm de altura quando uma roçada descuidada acabou com mais esta muda de espécie hoje rara na cidade de São Paulo, e que não é utilizada nos plantios efetuados pela prefeitura municipal de São Paulo (PMSP).

Muda morta pelo serviço de capina da PMSP

Detalhe do anelamento sofrido pela muda

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Monitoramento da restauração florestal das margens do Córrego Tremembé – 2010

Atendendo a uma sugestão da fundação canadense Acer, cujo objetivo é o de propiciar a alunos que desenvolvam seu interesse pela ciência e pelo monitoramento de recursos naturais através de práticas de plantio e medição de árvores, vamos publicar anualmente o resultado da medição das mudas que plantamos em um trecho localizado às margens do córrego Tremembé.

A primeira muda é a de uma corticeira-da-serra (Erythrina falcata), que já apresentamos na postagem de janeiro de 2009.

Esta corticeira-da-serra atualmente está com 106cm de altura. Plantada em setembro de 2008, estaria mais desenvolvida se não tivesse sido vítima de uma roçadeira do serviço de capina da prefeitura, que a confundiu com uma gramínea… Em todo caso, constatamos que é uma espécie robusta e de rápido crescimento.

Esta araucária (Araucaria angustifolia) foi plantada em fevereiro de 2010 e atualmente está com 32cm de altura.

Esta araucária (Araucaria angustifolia) foi plantada em março de 2010 e atualmente está com 29cm de altura.

Esta pata de vaca (Bauhinia forficata) foi plantada em janeiro de 2010 e atualmente está com 49cm de altura.

Esta pitangueira (Eugenia uniflora) foi plantada no inverno de 2008 e atualmente está com 90cm de altura.

Esta araucária (Araucaria angustifolia) foi plantada em 1 de janeiro de 2009, estabeleceu-se bem e atualmente está com 44cm de altura.

Este ipê-amarelo (Tabebuia sp.) foi plantado em janeiro de 2009, quando estava com cerca de 1m de altura. Foi cortado várias vezes pelo serviço de capina da prefeitura; o sistema radicular conseguiu sobreviver até agora, e no momento a planta está com 12cm de altura.

Esta uvaia (Eugenia pyriformis) foi plantada em fevereiro de 2010 e atualmente está com 25cm de altura.

Uma das constatações destes nossos plantios é a de que a araucária é uma espécie a ser considerada para a restauração de áreas como esta, apesar de seu crescimento relativamente lento. É resistente às formigas, o que já não ocorre com uma espécie de rápido crescimento como o guapuruvu. Além disso, suas acículas também inibem a ação de predatores, inclusive os humanos!

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Recuperação das margens do Córrego Tremembé

Grandes cidades brasileiras como São Paulo são exemplos claros da falta de planejamento ambiental.  O desrespeito inclusive à legislação existente, como ao Código Florestal, que prevê que a vegetação ciliar dos cursos d’água deve ser preservada ou recuperada, invariavelmente leva a episódios trágicos como os que estamos vendo no Vale do Itajaí, em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro… Isto significa que o poder público terá que partir para políticas públicas consistentes de recuperação da qualidade ambiental nas megalópoles brasileiras. Enquanto este dia não chega, estamos testando algumas metodologias visando à sua utilização futura em grande escala.

Uma das nossas áreas experimentais fica às margens do Córrego Tremembé, na Zona Norte de São Paulo. Dentre as espécies utilizadas para a recuperação ambiental do local estão corticeira da serra (foto), pitangueira, angico, araucária, ipê amarelo e guapuruvu.

Caso o objetivo da recuperação de uma área degradada preveja sua utilização para fins turísticos, é recomendada a utilização de técnicas mais sofisticadas.

Corticeira

Plantamos esta corticeira-da-serra em setembro de 2008.

Em tempo: segundo dados do INPE, a Região Metropolitana de São Paulo foi a campeã dos desmatamentos entre as regiões metropolitanas brasileiras. De 2005 a 2008, foram suprimidos 437ha de vegetação.

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