Archive for Aquecimento global

“É o fenômeno La Niña”

Diz o dito popular que “uma imagem fala por mil palavras”. Assim, resolvemos reproduzir duas charges do brilhante cartunista Iotti, explicando a razão pela qual o Brasil tem cada vez mais problemas com secas e enchentes…

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Seca no RS

Seca no RS

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O temporal de 19 de novembro em Imbé e Tramandaí

Especialistas em climatologia alertam há décadas de que uma das conseqüências do lançamento de gases do efeito-estufa na atmosfera será o aumento na freqüência e na severidade de temporais, ciclones, furacões, secas e enchentes. Em outras palavras, exatamente o que disse o prefeito de Alegrete, Erasmo Silva, em declaração à “Zero Hora” de 30 de novembro de 2009: “Em 2009, tivemos a pior seca dos últimos 10 anos e agora a pior enchente dos últimos 10 anos”.

O sul do Brasil parece ser particularmente vulnerável a estas mudanças, a julgar pela freqüência e pela severidade destes eventos nos últimos anos.

Tivemos a oportunidade de estar no meio do temporal que atingiu Imbé e Tramandaí em 19 de novembro. Chamou-nos a atenção de que a tempestade aproximou-se com incrível rapidez, coisa de poucos minutos. O fato tranqüilizador foi o de que o temporal veio do continente, portanto não poderia tratar-se de um furacão.

Muitas casas tiveram seus telhados danificados, e registramos os prejuízos mais marcantes em 2 enormes prédios envidraçados de Tramandaí. O vidro não resistiu à tempestade, que causou prejuízos de monta no interior dos imóveis. As fotos abaixo dão uma idéia dos impactos.

Residencial Veneza, Av. Beira Rio, 1237, Centro de Tramandaí

Edifício “Dona Alvina”, Rua Sahidi Abrahão, 175, Centro de Tramandaí

Concluímos que, em decorrência das mudanças climáticas, é desaconselhável construir prédios envidraçados, uma vez que foram registrados casos de pessoas feridas em decorrência dos estilhaços. A utilização de placas também deve restringir-se ao mínimo indispensável, pois o risco de que soltem-se e atinjam pedestres, veículos e imóveis é muito grande. Aliás, os próprios prédios altos demonstraram ser particularmente vulneráveis, e sua construção deveria ser coibida ou severamente restringida.

Nesse contexto, a Associação Comunitária do Imbé – Braço Morto vem realizando um trabalho notável, alertando a comunidade para a importância das questões ambientais e questionando judicialmente atos do poder público, como por exemplo a permissão da construção de edifícios nas margens do rio Tramandaí. Além disso, esta associação está tentando agendar uma audiência com a governadora Yeda Crusius para tratar da criação de um “Centro de Controle de Catástrofes Naturais”, que seja capaz de emitir alertas precoces de tempestades, de formas que a população seja avisada e possa procurar abrigo a tempo.

Também convém lembrar que a elevação do nível do mar é outra ameaça que paira sobre a região, existindo até uma simulação desta elevação para o caso de Tramandaí e de Porto Alegre. O jornalista Clovis Heberle também publicou, em seu blog, um pequeno artigo que antecipa a situação daqui a 100 anos.

Como diz Dick Young, “Previsões são inúteis. Preparação é indispensável”. Em decorrência do furacão Catarina, em março de 2004, e agora desta tempestade severa, recomendamos que o litoral gaúcho elabore e implemente estratégias de adaptação e de mitigação às mudanças climáticas, e estamos à disposição para atuarmos como consultores para tal.

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Climate Change and Brazil’s Atlantic Forest

Brazil’s territory is shared by 6 major biomes: the Amazon Forest in the inner part of the south American continent, the Cerrado (savanna), the Caatinga (a dry forest), the Pantanal (freshwater wetland), the Pampa (grasslands), and the Atlantic Forest, which originally covered the country’s Atlantic Coast.

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About 7% of the world’s species occur in the Atlantic Forest, 250 mammals, 1023 birds, 197 reptiles, 340 amphibians, 350 fish, and 20.000 vascular plants, 40% of which are endemic. Some of its formations are remnants from Gondwana. Currently the Atlantic Forest is highly fragmented, and 75% of Brazil’s endangered species live in this Biome. 1.300.000 km2 were already suppressed, and the remnants cover about 100.000 km2.

P1030892The Atlantic Forest includes some very ancient formations such as the Araucaria forests.

Cubatao_4Most remnants of the Atlantic Forest are located on the Serra do Mar mountains which border the coastal line of the south and southeast.

Some unusual climatic events have been registered in the area originally covered by this biome lately. In March, 2004, a hurricane hit the south Brazilian coast, causing some deaths and damages in urban areas. Tornados are becoming frequent, although some meteorologists argue that they have always been there but were never noticed.

A temperature increase of 1.5 – 2 degrees Celsius by 2100 would imply a decrease of 28% of the current area covered by the Atlantic Forest, whereas an increase of 3 to 4 degrees Celsius by 2100 would lead to a loss of 60% of the current area covered by the Atlantic Forest.

A projection was made for the future of 38 tree species under rising temperatures. The conclusion was that a rise in 2 degrees Celsius by 2050 would imply that 37 species would lose 25% of their current potential area whereas 1 species would increase 8% of its current potential area. An increase of 4 degrees Celsius by 2050 would signify that 38 species lose 50% of their current potential area, and would also imply mass extinctions in the south and the northeast part of the biome.

So what should be done? Basically 4 strategies should be applied:

1. Establish vegetation corridors
2. Increase protected areas
3. Improve funding support
4. Manage riparian forests

At the moment, the establishment of vegetation corridors is the less developed strategy because it would need the acceptance of private landowners. There is also the question of who would pay for the corresponding costs.

The increment in the number of protected areas depends on the state, which faces budgetary limitations to acquire and maintain these areas.

Environmental funding in the Atlantic Forest Biome has been improved lately through financial cooperation between several Brazilian state governments and Germany.

Another big strategy is the restoration of riparian forests. The government of Paraná state admitted that the costs of bad water quality and flooding were getting out of control and designed a project to plant 90 million trees in these areas, involving the means available to several public authorities. The programme has succeeded quite well so far, although much needs still to be done.

A fifth, brand-new strategy combining environmental & economical benefits was proposed recently by Yamazoe. Basically the idea is to grow native tree species in mixed stands, using a design which will allow the economic exploration of several wooden and non-wooden products. This system is called “Multiple Use Forests”. Currently a pilot project is being implemented in some small properties through a financial cooperation scheme with the government of Japan. Investors are invited to participate in the implementation of this system on a wider scale.

What else should and could be done? Considering the Brazilian conditions, there are some remarkable advances in public awareness regarding environmental issues. On the other hand, the implementation of public policies is not enough by far to meet the current needs in terms of climate & biodiversity protection. So the proposal is to create supra-national agencies in order to propose and implement environmental-friendly policies in the various Brazilian biomes. They would act as reference centres, a “meeting point” for experts, public agencies, the concerned national and international public as well as available resources. Today’s efforts regarding the solution of environmental questions are dispersed. Experts don’t get resources to implement their solutions, and the concerned public does not have appropriate channels to act besides of publishing letters and articles in the media complaining about this or that environmental problem. A reference centre for the Atlantic Forest could have a mission to bring together needs, projects, as well as resources to implement these solutions.

(Speech held at the Symposium on Climate Change and Biodiversity in the Americas, Panama, February 25-29, 2008).

P.S. We support the “Blog Action Day” on climate change – October 15th, 2009.

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O custo econômico das mudanças climáticas

A “Folha de São Paulo” acaba de veicular nova notícia alarmante dando conta de que o aquecimento global fará com que, até 2100, o nível médio dos mares suba quase 2m em relação ao nível atual.

De uns anos para cá, notícias deste tipo são recorrentes na mídia. Menos comum, contudo, é uma análise sobre o custo econômico destes eventos. Afinal, a cada impacto ambiental negativo corresponde também um custo econômico. Em março de 2009, por exemplo, o prefeito de São Paulo declarou que nem com todo o orçamento da cidade conseguiria resolver o problema das enchentes, causado pela excessiva impermeabilização e ocupação desordenada do solo da cidade.

No Brasil, o poder público tem sido lento na implementação de políticas públicas eficazes de proteção ou recuperação ambiental. Conseqüentemente, cresce o número de ações judiciais ajuizadas por entidades comunitárias objetivando que o estado implemente pelo menos a legislação ambiental vigente. Ações pleiteando ressarcimento por prejuízos causados pela deterioração da qualidade ambiental também devem tornar-se corriqueiras num futuro próximo.

Neste contexto, entende-se a iniciativa de mais de 30 associações comunitárias e ONG’s gaúchas, que estão pleiteando junto ao Tribunal de Justiça daquele estado a criação de varas ambientais especializadas, a fim de que os processos judiciais possam ser julgados por juízes competentes no assunto.

Em outras palavras, é do interesse do poder público implementar o quanto antes políticas eficazes de gestão ambiental. Do contrário, haverá uma enxurrada de ações judiciais pleiteando indenizações e ressarcimentos por conta da deterioração ambiental. Boa parte das cidades e atividades econômicas brasileiras localizam-se à beira-mar, e as previsões mencionadas significam que, a cada 10 anos, o nível do mar subirá cerca de 20cm. É preciso coragem até para imaginar os profundos impactos econômicos negativos que isto trará para a infra-estrutura e os habitantes de toda a costa brasileira…

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Mudanças climáticas

“Choveu num dia mais do que chove no mês inteiro”.

Ultimamente, manchetes como esta sucedem-se nos telejornais, acompanhadas pelas estimativas dos prejuízos e, eventualmente, do número de mortos. A explicação dos meteorologistas é a de que “há uma frente fria estacionária sobre a região”, ou coisa do gênero.

Infelizmente a explicação para estes eventos não é tão simples assim. Embora verdadeiras, são só uma parte da história. O desmatamento na Amazônia desequilibra os padrões de envio da umidade daquela região para o sul/sudeste. O processo funciona assim: A umidade do Oceano Atlântico entra sobre a Amazônia e a floresta vai “reciclando” esta umidade, que acaba sendo “aprisionada” na região pela Cordilheira dos Andes. Aí, no verão, as correntes de vento a levam ao sul, irrigando as regiões que mais produzem alimentos no Brasil. À medida que as árvores na Amazônia vão sendo cortadas, não cumprem mais o papel de “reciclar” a umidade, e o ciclo começa a falhar, a ficar intermitente, causando ora secas, ora enchentes. Há inclusive cientistas que atribuem as inundações de Santa Catarina e a seca na Argentina à fumaça dos incêndios florestais, que altera drasticamente o mecanismo de aproveitamento do vapor d’água da floresta amazônica.

De qualquer forma, chuvas intensas são parte do clima subtropical em que vivemos. E é por causa desse clima que surgiu a mata atlântica. Ela não é apenas decoração das paisagens do sul e sudeste brasileiros, tanto como as matas ciliares não existem apenas para enfeitar as margens de rios. A cobertura florestal natural das encostas, dos topos de morros, das margens de rios e córregos existe para proteger o solo da erosão provocada por chuvas, permite a alimentação dos lençóis d´água e a manutenção de nascentes e rios, e evita que a água da chuva provoque inundações rápidas (enxurradas).

A ocupação do solo é ordenada por leis municipais, os planos diretores urbanos. Esses planos diretores definem como as cidades crescem, que áreas vão ocupar e como se dá essa ocupação. Por falta de conhecimento ecológico dos poderes executivo, judiciário e legislativo (ou por não leva-lo em consideração), o código florestal tem sido desrespeitado pelos planos diretores em praticamente todas as cidades, sob a alegação de que o município é soberano para decidir, ou supondo que a mata é um enfeite desnecessário. Da mesma forma, as encostas têm sido ocupadas, cortadas e recortadas, à revelia das leis da Natureza.

Trata-se de uma falta de compreensão que está alicerçada na idéia, insensata, de que os terrenos devem ser remodelados para atender aos nossos projetos, em vez de adequarmos nossos projetos aos terrenos reais e à sua dinâmica natural.

A postura não é diferente nas áreas rurais, onde a fiscalização ambiental não tem sido eficiente no controle de desmatamentos e intensidade de cultivos em locais impróprios, como mostram as denúncias frequentes veiculadas nas redes que conectam ambientalistas e gestores ambientais. A irresponsabilidade se estende, portanto, para toda a sociedade.

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