As crises humanitárias na África

A mídia tem veiculado muitas reportagens sobre as “crises da fome” na África. Contudo, nada é dito sobre os fatores ambientais envolvidos nestas crises.

Países desenvolvidos sempre tiveram diversos tipos de programas de “ajuda ao desenvolvimento”, principalmente no continente africano. No caso das regiões semidesérticas, por exemplo, definiu-se que o fator limitante ao “desenvolvimento” é a água. Portanto, estes programas focaram na construção e ampliação de poços artesianos para captar água subterrânea – pensava-se que, com mais água disponível, o povo viveria melhor.

Com mais água disponível, os rebanhos que sustentavam as populações humanas aumentaram e, de fato, mais gente começou a viver mais e melhor. Mas rebanhos também necessitam de alimento, e o consumo da vegetação aumentou para além da capacidade de sustentação do meio, ou seja, para além do que a vegetação crescia naturalmente, uma vez que o fator limitante – a água – não aumentou para a vegetação.

Como resultado, a cobertura vegetal começou a diminuir e o deserto a aumentar; no fim das contas a capacidade do meio para sustentar populações humanas diminuiu, e o resultado são as recorrentes “crises humanitárias”.

O nordeste brasileiro é uma região que também está em visível processo de desertificação. Os sucessivos ciclos econômicos (exploração do pau-brasil e cultura da cana-de-açúcar) ocorreram às custas da cobertura vegetal original, num ambiente já caracterizado por chuvas escassas e irregularmente distribuídas.

Disto concluímos que não há desenvolvimento duradouro se não levarmos em consideração os fatores ambientais envolvidos. Uma lição para o Brasil, que vem perseguindo uma política de desenvolvimento “a qualquer preço”. Cuidado – o preço será mais alto do que imaginamos.

1 Response so far »

  1. 1

    Paulo Anjos said,

    Muito boa sua opinião, a respeito desse surto de crescimento artificialmente criado para dar falsa impressão de crescimento econômico e pujança. De um lado um povo com educação precária e sem capacidade de analise dos fatos e de outro políticos e empresários, muitos deles infelizmente inescrupulosos pré-dispostos a ganhos desonestos.Que futuro nos aguarda com essa prática de aproveitar o máximo da natureza no menor tempo possível?Parece que são as ações individuais daqueles que estudam e se preocupam poderão fazer alguma diferença num mundo civilizado inclinado a achar que a crise ambiental é algo para preocupação futura e que pode ser compensado.


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