O que há de errado com o Código Florestal

Em 24 de novembro, o jornal “O Estado de São Paulo” publicou um artigo muito esclarecedor do agrônomo Ciro Siqueira intitulado “O que há de errado com o Código Florestal Brasileiro”. O texto traz objetividade à discussão, que então precisa ser aprofundada, ampliando-se a análise.

No caso do estado de São Paulo, podemos partir do pressuposto de que a atual cobertura florestal é inferior à necessária para prestar diversos serviços ambientais como equilíbrio climático e biológico. Assim, se o proprietário de uma área de mil hectares teria sua receita diminuída em 60 mil reais anuais por causa da RL, também é verdade que outros segmentos da sociedade, como as populações urbanas, não só teriam como já têm prejuízos diretos e indiretos devido à insuficência de áreas florestais, como por exemplo a inconstância da vazão de rios (enchentes) e vendavais. Além disso, a própria cultura agrícola para a qual a terra foi arrendada tem ou terá prejuízos devidos à inconstância climática, já que secas e enchentes também reduzem a produção, reduzindo portanto a receita da propriedade.

Quanto às técnicas de reconstrução da floresta original, elas existem, embora obviamente sejam modelos simplificados. As “Florestas de Uso Múltiplo”, que apresentamos em outra postagem, são um exemplo destas técnicas. Mesmo que hoje “só Deus” saiba como reconstruir uma floresta nativa primária, teremos que começar dando os passos iniciais a fim de garantirmos a nossa própria sobrevivência futura. É verdade que os investimentos necessários para começar a reconstruir uma floresta nativa são altos, podendo chegar a mais de 15 mil reais por hectare. Por outro lado, florestas assim construídas poderiam produzir diversos produtos para os quais existem ou podem ser criados mercados. A madeira de lei que abastece a construção civil nas cidades paulistas provém da exploração insustentável da Amazônia; por quê não é cultivada nas propriedades rurais do próprio estado?

Em suma, podemos dizer que a deterioração ambiental representa um custo para todos os agentes econômicos, e nosso proprietário de mil hectares não terá como escapar de assumir sua parte. Caso conseguisse fazê-lo através de lobbies, por exemplo, certamente seria processado mais adiante pelos prejuízos impingidos a outros pelo fato de sua propriedade não possuir florestas suficientes. É claro que é possível que alguma versão mais “prática” do CF seja criada, ou que a sociedade como um todo esteja disposta a pagar, via impostos e subsídios, uma parte dos custos do “reflorestamento ecológico”, o que aliás já acontece em algumas regiões do estado do Paraná. É questão de elencar os custos/prejuízos e os benefícios que a implementação do CF traz aos diversos componentes da sociedade, definir onde estão os conflitos e criar fórmulas para solucioná-los.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: