Inicialmente convém lembrar que as a administração pública brasileira é como é devido às suas origens lusitanas, ou seja, à forma de administrar a colônia na época do Império Português. O excelente livro “1808”, de Laurentino Gomes, esmiúça como funcionava o poder público na época. Após a leitura desta obra, compreende-se perfeitamente de onde vêm muitas das características arcaicas e anacrônicas da administração pública brasileira dos dias de hoje.
Tratar destas questões não é o objetivo deste blog. Contudo, em nossas andanças pelo sul e sudeste do Brasil topamos com um administrador público “que faz a coisa andar”. Coisa incomum, ainda mais se estivermos tratando da administração ambiental.
Assim, resolvemos conversar com o Sr. Argílio Gomes Pereira, diretor do Horto Florestal do Litoral Norte em Tramandaí-RS, para entender melhor a receita de administração eficaz de um serviço público.
Pórtico do Horto Florestal do Litoral Norte
O Sr. Argílio é funcionário do Horto desde 1975, e assumiu a chefia em 2007. Quais são os diferenciais de sua administração?
Um diferencial é a limpeza e a administração impecáveis da área. Até que uma faxineira fosse contratada, há cerca de um mês, o Sr. Argílio cuidava pessoalmente da varrição da área, a partir das 6h da manhã.
O mesmo vale para o corte da grama, que é executado nos fins de tarde. O Sr. Argílio também encarregava-se pessoalmente da limpeza da fachada e do interior da sede administrativa do Horto.
Outro diferencial é a captação dos recursos para manter atividades como educação ambiental e produção de mudas. Como os recursos provenientes da Secretaria do Meio Ambiente costumavam ser, digamos, módicos, o Sr. Argílio lançou mão de seus relacionamentos de mais de 30 anos na comunidade local e começou a buscar parcerias, notadamente com órgãos públicos e empresas estatais. Através destas parcerias obteve, por exemplo, mão-de-obra especializada e o material necessário para deixar a trilha “um brinco”:
Trilha do Horto Florestal do Litoral Norte, utilizada principalmente por alunos das escolas da região em atividades de educação ambiental
A própria produção de mudas de espécies florestais nativas, que são fornecidas a prefeituras em todo o estado do RS, só é possível através das parcerias do Sr. Argílio. Nesse caso, a parceria é feita com as escolas da região. Quando vão ao Horto como parte das atividades de educação ambiental, uma das atividades dos alunos é a de preparar os sacos de terra nas quais as mudas serão produzidas.
Aspecto do viveiro do Horto Florestal do Litoral Norte
Todo este empenho acabou sendo registrado “na capital” e hoje já há a perspectiva de liberação de verbas provenientes do orçamento estadual para investimentos no Horto, por exemplo para a construção de um centro de educação ambiental junto ao viveiro.
Sr. Argílio (sentado) e a equipe de funcionários do Horto Florestal do Litoral Norte
Nossa opinião é a de que a administração pública brasileira terá que melhorar, e muito, para estar apta a enfrentar os desafios coletivos que temos pela frente, como as mudanças climáticas. Enquanto isso não acontece, exemplos como este que apresentamos são a alternativa para que “as coisas andem”. Parabéns ao Sr. Argílio e a toda sua equipe pelo trabalho desenvolvido até aqui!